6 de fevereiro de 2018

Um ano de Cinema Trindade vale 50000 entradas

Em 1913 abriu o Salão Jardim na Baixa do Porto. Com o passar dos anos passou por váios nomes e projectos, tendo sido epecialmente conhecido como Cinema Trindade. Na era em que os cinemas de rua do Porto chegaram a estar limitados ao Teatro do Campo Alegre, depois do fracasso na reabertura do Nun'Álvares, correr novo risco na rebertura do Trindade valeu o investimento. Um dos três pilares do cartão Tripass, recebeu cerca de cinquenta mil pessoas no primeiro ano de actividade das suas duas salas e promete continuar.
Para esta data especial tem um programa de festa com muitas estreias, sessões temáticas e cinema lusófono.
Espreitem o site do Cinema para escolherem o filme e façam-lhe uma visitinha.

27 de janeiro de 2018

"Basmati Blues" por Nuno Reis

Nestas semanas de início de ano, quando as salas de cinema são inundadas de filmes vencedores e candidatos a imensos prémios, nada como fugir às escolhas óbvias e ir assistir a um dos títulos que passam despercebidos no meio de tantos nomes sonantes. "Basmati Blues" tem como única arma o nome de Brie Larson e, se isso noutros tempos nada significaria para o espectador comum, depois do Oscar de há dois anos já é algo. Tanto que o filme esteve na prateleira desde 2012 e só agora o decidiram lançar, sofrendo de alguma controvérsia desnecessária. Ainda que todos se recordem de "Skull Island" e já tenham saído algumas fotos da actriz como Captain Marvel, ainda é pelos imensos filmes independentes que Larson é adorada pelos fãs. "Basmati Blues" tem sido acusado do white saviour complex por a personagem ir para a Índia rural e os ensinar a plantar arroz. Na verdade é mais simples descrever o filme como uma comédia típica indiana suavizada para o gosto ocidental.
Tem música, tem dança, tem romance, tem intriga e tem traição, mas não tem três horas. Se virem o trailer ficam com uma ideia simplificada do filme pois, como é habitual, conta tudo em apenas três minutos, mas ver o filme é uma experiência. A boa disposição de Larson, as personagens esterotipadas, as músicas despropositadas que irradiam boa disposição até ao final dos créditos… Não é um filme para se levar a sério. Não pretende ganhar prémios (e pelos vistos nem ambicionava recuperar o dinheiro que custou), mas trata alguns temas importantes. Os organismos geneticamente modificados que tornam os agricultores dependentes de contratos inacreditáveis. As pessoas que não se importam de esmagar todos à sua volta pelo lucro pessoal. Tirando isso, é um filme sobre uma rapariga que recebe de surpresa grandes responsabilidades que não eram suas, é mandada a correr para um destino paradisíaco e tem de abraçar uma nova cultura. A Índia é apresentada como o estereótipo “um país gigante, com muitas terras de cultivo e gente boa”, mas é dada informação sobre o progresso, as dificuldades económicas de quem quer estudar e como funcionam as cunhas. Pode ser um país como todos os outros. Tem gente boa e gente má como todos os outros países e, a haver estereótipos, é o CEO/vilão de Donald Sutherland.
De forma sumária, é um filme que surge desenquadrado das estreias do momento, que não tenta passar nenhuma mensagem óbvia ou subliminar sobre culturas, apenas quer entreter como qualquer romance pipoca. As músicas são apelativas e dá para passar uns bons momentos. Quem procurar cinema indiano vai ficar desiludido. Quem se apaixona por Brie Larson a cada filme vai voltar a fazê-lo. É um estranho cruzamento, mas nada é mais estranho do que Scott Pakula no final do filme.
Basmati BluesTítulo Original: "Basmati Blues" (EUA, 2017)
Realização: Dan Baron
Argumento: Dan Baron, Jeff Dorchen, Danny Thompson
Intérpretes: Brie Larson, Utkarsh Ambudkar, Saahil Sehgal, Donald Sutherland, Scott Bakula, Tyne Daly
Música: Steven Argila
Fotografia: Himman Dhamija
Género: Comédia, Musical
Duração: 106 min.
Sítio Oficial: http://basmatiblues.com

6 de janeiro de 2018

Os melhores de 2017 para a OFCS


A Online Film Critics Society no final de 2017 apresentou a sua habitual lista de melhores do ano. Vários nomes inesperados ao lado de uns consagrados confirmam que estamos numa fase de mudança no que diz respeito à indústria do cinema.


Melhor Filme

  • A Ghost Story

  • Call Me By Your Name

  • Dunkirk

  • -->Get Out

  • Lady Bird

  • mother!

  • Phantom Thread

  • The Florida Project

  • The Shape Of Water

  • Three Billboards Outside Ebbing, Missouri


  • Melhor Actor

  • Daniel Kaluuya, “Get Out”

  • -->Gary Oldman, “The Darkest Hour”

  • James Franco, “The Disaster Artist”

  • Robert Pattinson, “Good Time”

  • Timothée Chalamet, “Call Me By Your Name”


  • Melhor Actriz

  • Cynthia Nixon, “A Quiet Passion”

  • Frances McDormand, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

  • Margot Robbie, “I, Tonya

  • -->Sally Hawkins, “The Shape Of Water”

  • Saoirse Ronan, “Lady Bird”


  • Melhor Realizador

  • -->Christopher Nolan, “Dunkirk”

  • Greta Gerwig, “Lady Bird”

  • Guillermo del Toro, “The Shape of Water”

  • Jordan Peele, “Get Out”

  • Paul Thomas Anderson, “Phantom Thread”


  • Melhor Argumento Original

  • Greta Gerwig, “Lady Bird”

  • Guillermo del Toro, Vanessa Taylor, “The Shape of Water”

  • -->Jordan Peele, “Get Out”

  • Martin McDonagh, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

  • Paul Thomas Anderson, “Phantom Thread”


  • Melhor Argumento Adaptado

  • Aaron Sorkin, “Molly’s Game”

  • James Gray, “The Lost City of Z”

  • -->James Ivory, “Call Me By Your Name”

  • Scott Neustadter & Michael H. Weber, “The Disaster Artist”

  • Sofia Coppola, “The Beguiled”


  • Melhor Documentário

  • Dawson City: Frozen Time

  • Ex Libris: The New York Public Library

  • -->Faces Places

  • Jane

  • The Work


  • Melhor Filme em Língua Não-Inglesa

  • -->BPM (Beats Per Minute)

  • Nocturama

  • Raw

  • Thelma

  • The Square


  • Melhor Actor Secundário

  • Armie Hammer, “Call Me By Your Name”

  • Michael Stuhlbarg, “Call Me By Your Name”

  • Patrick Stewart, “Logan”

  • Richard Jenkins, “The Shape Of Water”

  • -->Sam Rockwell, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”


  • Melhor Actriz Secundária

  • Allison Janney, “I, Tonya”

  • Holly Hunter, “The Big Sick”

  • -->Laurie Metcalf, “Lady Bird”

  • Mary J. Blige, “Mudbound”

  • Tiffany Haddish, “Girls Trip”


  • Melhor Filme de Animação

  • -->Coco

  • In This Corner Of The World

  • Lego Batman Movie

  • Loving Vincent

  • The Breadwinner


  • Melhor Edição

  • Ben Safdie and Ronald Bronstein, “Good Time”

  • -->Lee Smith, “Dunkirk”

  • Paul Machliss and Jonathan Amos, “Baby Driver”

  • Sidney Wolinsky, “The Shape Of Water”

  • Tatiana S. Riegel, “I, Tonya”


  • Melhor Fotografia

  • Dan Laustsen, “The Shape Of Water”

  • Darius Khondji, “Lost City Of Z”

  • Hoyte van Hoytema, “Dunkirk”

  • Rachel Morrison, “Mudbound”

  • -->Roger Deakins, “Blade Runner 2049”


  • Melhor Elenco

  • Get Out

  • Lady Bird

  • Mudbound

  • The Post

  • The Shape Of Water

  • -->Three Billboards Outside Ebbing, Missouri


  • Estrela Revelação

  • Brooklynn Prince, “The Florida Project”

  • Dafne Keen, “Logan”

  • Daniel Kaluuya, “Get Out”

  • Tiffany Haddish, “Girls Trip”

  • -->Timothée Chalamet, “Call Me By Your Name”

  • 7 de dezembro de 2017

    Person of the Year 2017


    A Person Of The Year para a revista Time é o movimento #MeToo.

    Começado há mais de uma década por Tarana Burke num esforço para ajudar vítimas de assédio, foi abafado pela falta de mediatismo. Quase ensombrou Hollywood no distante ano de 1997 com acusações de Ashley Judd, mas a actriz também foi ignorada. Este ano as estrelas falaram sem medo e depois de Alyssa Milano, Rose McGowan e tantas outras pessoas darem a cara, o resto do mundo foi atrás numa revolução pacífica, mas nada silenciosa. A era do silêncio terminou de vez.
    Enquanto alguns pussy grabbers são eleitos, outros vão sendo despedidos. Muitos dos acusados foram um choque inacreditável levando a várias alterações na produção cinematográfica e televisiva com efeitos imediatos. Esta purga também levará alguns inocentes por arrasto, mas no final talvez tenhamos um mundo melhor.

    Podem ler mais sobre os Silence Breakers na Time.